Grandes eventos, como a Copa, impulsionaram mercado de feiras e congressos no Rio

Data: 8.Set.2014
Fonte: O Globo


Clique aqui e leia matéria direto da fonte.

Primeiro foi a Copa do Mundo de Futebol, há cerca de dois meses. Depois, a da gastronomia e da hotelaria, Sirha, prevista para 2015. Agora, pode ser que ganhemos a disputa contra Rússia e Abu Dhab para atrair o Congresso Mundial de Energia (World Energy Congress – WEC), a "copa" da energia, em 2019, que chega a reboque de outras duas conquistas na área de petróleo e gás: além de sediar a maior exposição e conferência sobre o setor a cada dois anos, a Rio Oil & Gas (que acontece agora em setembro, no Riocentro), a cidade recebe, em 2016, a 5ª edição do WPC Youth Forum, evento do Conselho Mundial de Petróleo (WPC) dedicado a estudantes e profissionais até 35 anos. E o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), organizador dos dois eventos, também ganhou a corrida para sediar, por aqui, a International Gas Union Research Conference (IGRC), em 2017, um dos mais importantes encontros técnicos do setor de gás natural do mundo. O fato é que o Rio de Janeiro está batendo um bolão no mercado de feiras e congressos, especialmente os internacionais.

 

Em 2013, de acordo com dados do Rio Convention & Visitors Bureau (Rio CVB) — que reúne representantes de todo o chamado trade turístico do estado, de hoteis a agências de turismo e companhias aéreas — a cidade contou com 159 eventos técnicos e científicos, que atraíram 200.266 pessoas, e geraram uma receita de aproximadamente US$ 284 milhões. O presidente-executivo da entidade, Alfredo Lopes, acredita que 2014 vai superar o ano passado tanto em número de eventos, quanto em receita e público. Afinal, já são 151 eventos agendados ou que já aconteceram (sendo 92 nacionais e 59 internacionais), que somam 172.480 mil congressistas e US$ 271.342 milhões. O destaque fica justamente com a Rio Oil & Gás, que tem expectativa de público de 55 mil pessoas e receita estimada em US$ 280 milhões. Em 2015, 37 eventos já foram marcados, sendo 20 internacionais, com destaque para a Feira Internacional de Defesa e Segurança (LAAD), que será realizada em abril, com 35 mil participantes, e para a Convenção Mundial dos Narcóticos Anônimos, em junho de 2015, com 10 mil participantes, ambos no Riocentro. Já são pelo menos 80.550 congressistas garantidos, que deixarão uma receita estimada de US$ 134 milhões. E, em 2016, além dos tão esperados Jogos Olímpicos, o Rio CVB já tem em seu calendário 15 eventos (13 deles internacionais), até o momento. Ao todo, serão 73.150 congressistas que vão gerar ao menos US$ 134.621 milhões.

 

— Por causa da exposição positiva que tivemos por conta de eventos como a Copa, o mercado cresceu. Os organizadores sabem que marcar algo aqui é a certeza de poder contar com um público de 15% a 20% maior do que em outra cidade brasileira, por causa do apelo turístico da cidade — diz Lopes.

 

Só para se ter uma ideia, São Paulo — principal destino de turismo de negócios no país e na América Latina — já tem confirmado em sua agenda ao menos 47 eventos para acontecer entre 2015 e 2017, sendo 26 internacionais e 21 nacionais, segundo dados do São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPCVB). Só nos dois primeiros anos, o Rio já garantiu 56, sendo 33 internacionais. Os paulistanos esperam receber ao todo 15,1 milhões de visitantes até o final deste ano, segundo números da SPturis (Observatório do Turismo).

 

GRANDES EVENTOS, PEQUENOS E POUCOS ESPAÇOS
São tantos os eventos para acontecer no Rio que já falta espaço para marcá-los. Em maio, no Fórum Comercial da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio (ABIH), que reuniu representantes do setor, um dos assuntos levantados foi a necessidade de a cidade ter um terceiro e um quarto centros de convenções. Hoje há apenas o Riocentro, ideal para grandes feiras e congressos, e o Centro de Convenções Sulamérica, no Centro.

 

— Mas, com as Olimpíadas e as Paralimpíadas, o Riocentro já está reservado de maio a dezembro de 2016. Ou seja, vai ficar fechado por oito meses. Com isso, praticamente não há opções para se trazer outros eventos para a cidade que atraiam turistas — conta Lopes, acrescentando que, entre os locais sugeridos para receber outras programações estão os fortes de Copacabana e do Leme, a Marina da Glória e uma área perto do porto, entre Benfica e São Cristóvão, que anda esquecida, mas teria potencial para receber um novo centro de convenções. — Estamos num momento de transição: 70% dos hoteis da cidade estão na Zona Sul e no Centro, mas nosso principal centro de convenções é na Barra. A partir de 2016, teremos mais 10.500 quartos para servir de apoio aos eventos marcados no Riocentro, mas é preciso ancorar os estabelecimentos da Zona Sul com locais que comportem grandes eventos. O Sulamérica é pequeno, e há anos não contamos com um espaço importante como era o Hotel Nacional.

 

Não por acaso, o Rio CVB passou a concentrar esforços na captação de eventos pós 2016. Em 2017, já garantimos nove, oito deles internacionais. Serão 17.600 congressistas e receita estimada de US$ 31.600 milhões. Entre os eventos em destaque, estão o Congresso Mundial de Medicina Intensiva 2017, o XV Congresso Latino Americano de Rinologia e Cirurgia Facial 2017 e Congresso Brasileiro de Infectologia 2017. E mais nove em 2018 (só um nacional), entre eles o Congresso Mundial de Ginecologia e Obstetrícia (Figo 2018), no Riocentro, e o 13º Congresso Mundial de Medicina do Esporte, programado para acontecer no Windsor Barra, para o qual o Rio foi selecionado como cidade-sede disputando com Praga, na República Tcheca. Já há eventos marcados até para 2019 (um, a Conferência Internacional sobre Cirurgia Oral e Maxilo-Facial) e 2020 (três, com destaque para o 27º Congresso Mundial da União Internacional de Arquitetos).

 

NA AGENDA, FEIRAS DE VINHOS E CERVEJAS
Antes disso, porém, muitos eventos acontecem em lugares "alternativos". De 15 a 21 deste mês, por exemplo, acontece o Rio Wine and Food Festival, com programações (palestras, jantares harmonizados, degustações) acontecendo em toda a cidade, incluindo uma feira de vinhos no Clube Piraquê, na Lagoa. Segundo os organizadores destes eventos, a "marca" Rio faz a diferença.

 

— Lugares fechados para realizar uma feira como esta você encontra em qualquer lugar do mundo. Mas a vantagem de um local como o Piraquê é que, além de bem inserido geograficamente, ainda tem uma paisagem deslumbrante — conta Sergio Queiroz, que com Marcelo Copello é responsável pelo Rio Wine and Food Festival. — Tínhamos feito no Piraquê uma pequena edição da feira, há dois anos. Agora, teremos um total de 1400 metros quadrados em três salões do clube, onde esperamos receber cerca de 1.200 pessoas (contra 720 no ano passado). São representantes de bares, restaurantes, supermercados e grandes consumidores das classes A e B, os chamados enófilos.

 

Ainda segundo Queiroz, além de ser muito mais interessante para quem é de São Paulo, Minas e do Nordeste vir para cá, os próprios produtores querem estar aqui:

 

— Sem contar que é onde estão 29% dos consumidores dos vinhos portugueses no Brasil (o que faz do estado o maior mercado consumidor brasileiro) e, em números relativos, o Rio é o maior consumidor de champanhe e vinhos caros do país.

 

Já o Mondial de La Bièrre (mais importante festival internacional de degustação e difusão da cultura cervejeira do mundo), em novembro, acontecerá pela segundo ano no Terreirão do Samba. A primeira edição, no ano passado, seria no Espaço de Ação da Cidania, na Zona Portuária, mas, com a derrubada do Elevado da Perimetral, foi necessário mudar às pressas para a Praça Onze. O Terreirão, que funcionava basicamente por conta do carnaval, foi uma opção que deu certo para receber mais de 20 mil pessoas. Realizado também em Montreal (Canadá) e em Mulhouse (França), o festival conta com mais de 600 rótulos de cervejas especiais para degustação,além de workshops e talk-shows.

 

— Percebemos que, além de ser um cartão postal mundial, o Rio de Janeiro é uma cidade que tinha uma lacuna em eventos desse tipo. Aqui nunca houve uma feira como o Mondial de La Bière, apesar da grande demanda. Além disso, a Jannine Marois, presidente do Mondial, sempre teve interesse de trazer o evento para o Rio, por ser encantada pela cidade. Nossa expectativa em 2013 foi superada e, por isso, repetir este ano. Na edição de 2014 aumentaremos nossa área em mais de 30%, com maior número de expositores e mais um dia de feira — conta Victor Montenegro, diretor de Núcleo da Fagga Eventos, à frente do Mondial.

 

Os fãs de cerveja também terão outro evento marcado em novembro, de 27 a 30, no Centro de Convenções Sul-América. É o Belgian Beer Weekend, que acontece pela primeira vez no Brasil, depois de 15 anos na Grand Place de Bruxelas, na Bélgica. Se em Bruxelas o evento conta com várias barracas somente de cervejas, aqui o objetivo será divulgar a gastronomia belga e suas especialidades, com direito à loja, palestras, um restaurante popular e outro destinado à cozinha gourmet. Além das cervejas, outros produtos, como a famosa marca de chocolate Callebaut estarão disponíveis, para um público estimado em 25 mil pessoas.

 

— A cidade do Rio precisava amadurecer para receber um evento como este, e o carioca também não entendia nada de cerveja. Ele bebia apenas as marcas industrializadas, aquelas que encontramos desde sempre nos supermercados. Hoje em dia, o mercado de artesanais cresceu, a importação também. O mesmo se deu com o interesse pela bebida e o consumo de produtos especiais. Há poucos dias, por exemplo, realizei um evento para gourmets, onde se oferecia cerveja e champagne. Para minha surpresa, as pessoas trocavam suas taças por copos de cerveja — diz o belga Xavier Depuydt, curador e organizador do Belgian Beer Weekend Festival, ao lado do empresário Marco Aurélio Alves, da Fobe Eventos.

#

Rio de Janeiro
Rua Salvador Allende, 6.555
Barra da Tijuca - CEP: 22870-160
Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Tel: (21) 2441-9100 | Fax: (21) 2441-9398
São Paulo
Rodovia dos Imigrantes, km 1,5         
CEP: 04329-900
Tel: (11) 5067-1760