Feiras nacionais começam a ser exportadas

Data: 9.Abr.2015
Fonte: DCI Online


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Depois de atrair centenas de eventos internacionais, o Brasil está consolidando suas plataformas internas. A tendência é que a atuação fora do País comece a ganhar cada vez mais relevância

Vivian Ito

Reatech ganhou projeção internacional e foi para Itália e Cingapura

São Paulo - Promotoras internacionais têm demonstrado interesse por modelos de feiras brasileiras. A experiência de encontros já realizados fora do País envolve apenas a Reatech Brasil e a Expocruz, mas a demanda por eventos de negócios nacionais tende a crescer.

Apesar de ter pouca experiência neste segmento, o Brasil tem desenvolvido plataformas que podem ser atraentes aos olhares estrangeiros. Para especialistas, os eventos com temas de serviços diferenciados são os que apresentam maior exportabilidade. Eles possuem características que podem atender necessidades locais de outros países, ao contrário de feiras mais comuns como as de varejo e tecnologia, que já contam com alta competitividade no mercado externo.

"O setor de feiras de negócios brasileiro ainda é jovem, mas existe a tendência de exportarmos alguns modelos. Principalmente no ramo voltado a serviços", afirma o presidente executivo da União Brasileira dos Promotores de Feiras (Ubrafe), Armando Arruda P. de Campos Mello.

O maior exemplo de plataforma consolidada no Brasil, e completamente nacional, é a Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade (Reatech), do Grupo Fiera Milano. Depois de se tornar um evento consolidado no mercado brasileiro, a Reatech foi levada para a Itália e para Cingapura, em 2013.

No Brasil, a nova edição da Reatech começa hoje e segue até o dia 12 de abril, no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center em São Paulo.

Outro exemplo de sucesso fora do País é o da Expocruz, considerado como o maior evento multissetorial da América Latina. Apesar de nunca ter sido realizado no Brasil, ele foi criado pela empresa nacional Fagga (atualmente da GL Events) e envolve conceito 100% nacional. Conforme a Ubrafe, a Expocruz é realizada todo ano em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, e atrai a cada edição perto de 500 mil visitantes. Em 2013, foram fechados aproximadamente US$ 192 milhões em negócios.

Desafios

No País, a movimentação de importação ainda é extremamente maior do que a exportação de feiras, explica o diretor geral do Grupo Fiera Milano no Brasil, Marco Antônio Mastrandonakis. Para ele, isso ocorre pelo perfil cultural do mercado interno. "O segmento iniciou trazendo feiras internacionais. Só depois foram criadas feiras próprias. Agora, finalmente exportamos".

Na opinião do executivo, entre as características atrativas para exportar uma feira a segmentação é um diferencial. "No caso da Reatech, não são exibidas apenas soluções de tratamento, mas de estilo de vida e inserção no mercado de trabalho", explica.

Mastrandonakis ressalta que para uma feira ser exportada é necessário ter um tema que se identifique em outros locais. "Deve ter um desenvolvimento de branding [marca] para ser reconhecido no mundo", aponta o diretor.

Outro desafio citado por ele é o reconhecimento das feiras de negócios como uma plataforma de promoção de um país. "O que falta na exportação é ser de fato uma solução desenvolvida para ser útil no mercado internacional". Para ele, é uma questão de desenvolvimento de modelos de gestão e não só de produto.

Outro atrativo são os expositores e empresários nacionais. "Mantemos relações comerciais com promotoras estrangeiras e vemos o interesse delas em levar participantes do Brasil para fora", diz o diretor-presidente da FCEM, Hélvio Roberto Pompeo Madeira. Ele conta que na Tecnotêxtil, que termina amanhã, em São Paulo, representantes da feira italiana Itma têm comentado que a delegação brasileira é uma das maiores lá fora.

Caminho inverso

No movimento contrário, de importação, o Brasil ainda é um dos países mais atraentes para o setor. Tanto que nos últimos anos vieram para cá as feiras estrangeiras Pollutec, Sirha Brasil, Intermodal, Tissue World São Paulo, Japan & Asian Food Show, Automec e Autocom. Mastrandonakis, da Fiera Milano, disse ter planos de trazer novos empreendimentos para o País, mas ainda mantém segredo de quais. 

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