Festival em Minas valoriza tradições culinárias do país e produtos locais

Data: 4.Set.2015
Fonte: Folha de São Paulo - turismo


Desde 1998, o festival de gastronomia de Tiradentes movimenta a cidade histórica em Minas Gerais, à semelhança do que se observou neste fim de semana, o último do evento.

Nesta 18a edição, os organizadores esperam a presença de 40 mil visitantes –20 mil estiveram na cidade no fim de semana passado, o primeiro do festival. A essência do evento é a mesma: valorizar o universo da gastronomia brasileira, do campo à mesa.

Para tal, degustações, palestras e workshops são realizados em uma estrutura montada ao ar livre, próxima ao centro da cidade, com diversas barracas de comida e música ao vivo.

Neste ano, o festival avançou e intensificou o intercâmbio com produtores locais da região –ele integra um projeto mais amplo, o Fartura, que, por meio de expedições pelo país, garimpa produtos, modos de vida de comunidades locais e suas relações com a comida.

A equipe do projeto, que calcula ter percorrido mais de 60 mil km para mapear tradições culinárias brasileiras, trouxe à cidade histórica chefs do Piauí, do Maranhão, de Alagoas e do Tocantins, entre outros, para jantares e apresentações.

Dona Nena, que produz chocolate artesanal na ilha do Combu (PA), esteve em Tiradentes para falar de seu saber, bem como representantes das baianas do acarajé de Salvador (BA) –que discorreram sobre o patrimônio da receita e a polêmica em torno da venda do quitute durante a Copa do Mundo – e de restaurantes do Tocantins, para destrinchar a culinária no Estado.

Neste ano, o festival também promoveu roteiros pelas comunidades rurais da região –como o distrito de Caixa D'Água e a cidade de Coronel Xavier Chaves– para visitas a produtores de cachaça, biscoitos, queijos, linguiças e méis (eles custaram de R$ 80 a R$ 210).

QUITUTES

Duas praças centrais, no largo das Forras e na praça da rodoviária, concentraram as atividades ao longo do dia –e da noite. Além das aulas de gastronomia, as barracas de restaurantes locais e de outras cidades de Minas e os shows como o do bandolinista Hamilton de Holanda, neste sábado (29), atraíram público diversificado.

Na barraca da Estalagem do Sabor, por exemplo, a batata rösti (R$ 25) podia levar 40 minutos para ser preparada –mas valia a espera. Também estavam à venda pastéis de angu, de fubá recheado com carne moída ou calabresa (R$ 25 a porção com oito unidades).

Os quitutes do restaurante Trindade, do chef Frederico Trindade, de Belo Horizonte, também estavam disputados, sobretudo o sanduíche com queijo da Canastra (R$ 25) e o arroz com costela desfiada, ovo frito e farofa de pão enriquecida com páprica (R$ 45).

Com a temperatura próxima dos 15 graus, garrafas de vinho eram vistas às centenas –as filas para comprá-las superavam em muito as de cerveja artesanal.

SABER

Entre as palestras, uma das mais esperadas foi realizada neste sábado (29): a do chef francês Laurent Suaudeau, radicado no país desde o final da década de 1970 e um dos precursores na valorização dos ingredientes brasileiros tratados com técnica francesa.

Em sua apresentação, no entanto, Laurent pouco falou de técnica. Além de contar novidades –como a seletiva brasileira para a competição mundial do Bocuse D'Or, que ele coordena, e uma parceria de seu instituto para oferecer a jovens de baixa renda bolsas de ensino na escola que dirige–, o chef tocou em questões políticas envolvendo a gastronomia.

Pediu mais atenção das autoridades à voz do setor e, aos chefs, mais união para que isso seja alcançado –citando polêmicas como restrições a ingredientes, a exemplo do caso do foie gras em São Paulo, e utensílios.

"É falta de visão proibir o sangue para fazer molho pardo, o uso da colher de pau, do tacho de cobre; prefere-se proibir do que ensinar, educar, formar", disse Laurent. "A miopia de uns poucos não pode impedir o avanço do setor. O momento exige objetividade, seriedade, esforço e união; mesas e cadeiras foram criadas também para se sentar e conversar".

O chef aproveitou para elogiar em público o trabalho da nova geração de chefs brasileiros, como Rafael Costa e Silva, do carioca Lasai, que estava presente e fez uma palestra sobre a horta de seu restaurante logo em seguida.

FESTIM

À noite, o festival também promoveu jantares especiais nos quais chefs de restaurantes da cidade receberam cozinheiros convidados de outros Estados e países.

Neste ano, o intercâmbio maior foi com a França: quatro chefs de lá vieram ao festival e, em setembro, quatro mineiros (Leo Paixão, Frederico Trindade, Ivo Faria e Rodolfo Mayer) irão ao país para cozinhar no festival de Mougins.

O jornalista viajou a convite da organização do Festival de Cultura e Gastronomia de Tiradentes

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