Rafi Albo, especialista em conteúdo "on-life": 'Meu trabalho é criar os brinquedos que não tive'

Data: 18.Mar.2016
Fonte: O Globo


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Fundador da uma agência digital, o israelense veio à cidade para participar da conferência audiovisual Rio Content Market


"Nasci em 1970, em Israel. Cresci num kibutz, uma fazenda coletiva. Estudei comunicação e marketing, não me formei, mas entrei em uma agência de publicidade e, cinco anos depois, era vice-presidente. Saí para criar uma start-up de conteúdo 'on-life', que combina objetos reais com experiências digitais."

Conte algo que não sei.
 
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Nos anos 1980, no kibutz onde cresci, a gente tinha Facebook. Era um Facebook físico: um grande mural de recados sempre lotado e atualizado, no salão em que todos comiam. Tinha bilhetes avisando dos nascimentos, cartões postais enviados por quem estava viajando, mensagens que chegavam no telefone (era um só). Até gente brigando, escrevendo coisas umas por cima das outras. Em uma parede, você via tudo que acontecia ao seu redor. Era fantástico!

Como você foi do mundo rural para o da tecnologia?

Eu ficava lá, tirando leite da vaca... mas lia, fantasiava, sonhava com coisas novas, coisas grandes. Criei um parque de diversões dentro do kibutz e convidava empresas que vinham fazer passeios, convenções. Um dia, tomei coragem, mandei currículo para uma dessas empresas, uma agência de publicidade em Tel Aviv. Eu me ofereci para trabalhar por um salário que, depois fui saber, era irrisório: fui contratado ganhando o triplo. Cheguei como piada, “o caipira sem noção", mas, cinco anos depois, era o vice-presidente da companhia. Com a explosão da inovação tecnológica em Israel, que virou a nação das start-ups, vi espaço para criar minha própria empresa.

Você acha que o Brasil poderia poderia ter mais inovação?

Sim. O Brasil é um país cheio de ideias, mas muitas dessas ideias acabam sendo desperdiçadas por que os criadores estão isolados, porque a burocracia emperra o processo, porque a língua portuguesa não favorece a divulgação internacional. O jeito de superar isso é se globalizar, criar conexões com pessoas do mundo inteiro que podem ajudar você.

O conteúdo que você cria e batizou de “on life” que você cria cresce pelo desgaste dos formatos tradicionais?

Sim! Marketing digital é uma mesmice: banners, Facebook, Youtube... Quer ser relevante? Faça coisas loucas! Vale para educação, comunicação, arte. Fiz um folheto para uma banda da Finlândia: na tela vira um palco, eles surgem tocando sobre a filipeta. É incrível!

O e conteúdo "on life" também pode ser usado para educação?

Claro, é um recurso para unir os livros que os adolescentes não querem ver com os celulares, dos quais eles não conseguem desviar o olhar. A primeira ideia que me ocorre é que um holograma pode ser usado para enriquecer uma aula de astronomia, de geografia, de anatomia. Mas as possibilidades são infinitas.

O que sua empresa faz?

Criamos experiências que combinam o mundo físico com o digital, une pixel e papel. Não tinha ideia, mas é um trabalho diferente: nos últimos três anos, estive em 53 países apresentando o que faço.

Como uma empresa pequena faz projetos tão variados?

Meu talento é unir talentos para fazer coisas, temos uma rede de experts em vários países. No Brasil, trabalho com Ohmar Tacla, de Curitiba, um gênio, criou óculos de papelão.

De onde vêm tantas ideias?

Quando eu era criança, no kibutz, meu único brinquedo era um trator. Um trator de verdade, usado no campo. Meu trabalho é criar os brinquedos que eu não tive.
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